sábado, 22 de julho de 2017

Porque nem sempre viver é arte!

E quem disse que viver é uma arte esqueceu de dizer que nem sempre é comédia ou romance, que muitas vezes viver é uma cena trágica, cheia de muitas dores e dissabores.
E quem disse que viver é como uma peça de teatro, esqueceu de dizer que as vezes tudo é demasiado dramático e pesado demais.
E quem disse que viver era a melhor coisa do mundo, hoje já não vive mais, mas deveria, para saber o quanto se enganou nas impressões que tinha.

terça-feira, 21 de março de 2017

Feliz...feliz...feliz...aniversário

E se Deus me desse dez vidas, onze eu te daria.
Lembro como se fosse hoje o instante em que me trouxeram você, um cisco de gente, frágil, indefesa, e que ao mesmo tempo trazia consigo toda energia capaz de me fazer renascer.
Eu não fazia ideia de que um dia amaria alguém como eu amo você.
Minha filha, minha companheira, minha parcerinha, que Deus nos permita comemorar juntas muitos e muitos anos de vida, que Ele nos abençoe com saúde, felicidade e que possamos estar sempre juntas enfrentando essa coisa mágica e assustadora que é viver.
Parabéns pelos seus 8 anos de vida, e obrigada por oito maravilhosos anos ao seu lado, aprendendo, ensinando, experimentando.
Ontem, hoje e sempre, mamãe te ama...daqui ate o céu indo e voltando...infinitas vezes.

domingo, 11 de dezembro de 2016

Coisas para eu fazer antes de morrer

Não é novidade que a vida nada mais é que o breve espaço entre nascer e morrer. Breve porque algumas vezes parecer ser insuficiente para os sonhos que vamos construíndo.
Algumas vezes a sensação é justamente o oposto, achamos que já vivemos tudo o que devíamos e podíamos, isso até que uma doença ou uma fatalidade venha para nos dar um chacoalhão
E foi neste chacoalho que a vida deu que me peguei a pensar na vida que levo, na minha utilidade, e na forma que eu ainda poderia modificar isso no tempo que ainda tenho, ou que desejo ter.
E passei então a pensar nas coisas que gostaria de fazer antes de morrer.

1.       Ter um filho( ou três...rs) - Ok
2.       Adotar uma criança; - Sonho que vai passar para a outra vida pelo visto
3.       Adotar um animal de estimação OK
4.       Viajar se rumo, pelo simples prazer de conhecer lugares novos; Tá quase
5.       Amar ser amada; (fui e a pessoa só me falou o tão esperado eu te amo quando eu já não 
6.       Ajudar um desconhecido OK
7.       Andar de montanha russa OK
8.       Fazer algo que sempre desejei, mas nunca tive coragem;OK
9.       Malhar e manter a forma; kkkkkkkkk
10.   Fazer uma viagem com amigos;OK
11.   Passar um dia e uma noite em contato com a natureza;OK
12.   Fazer uma tatuagem; (vale aquelas de chicletes?)
13.   Passar a virada de ano em Copacabana com amigos ou sozinha; (hummm vai para outra vida tb)
14.   Estar presente na formatura da facul da minha filha; (deste não abro mão)
15.   Experimentar a sensação de ter um neto em meus braços;(Esse pode demorar, não ligo)
16.   Comprar uma moto; 
17.   Comprar uma casa;
18.   Ter a minha própria horta; (já tentei, hortas não gostam de mim rs)
19.   Ganhar na loteria e realizar sonho de meus melhores amigos; (tentando)
20.   Ganhar na loteria e realizar o sonho de algumas crianças; (tentando)
21.    Beijar uma Dreg Queen...Mano consegui...e fiz uma amiga...
22.   Salvar a vida de alguém;OK
23.   Fazer algo especial para alguém importante para mim OK
24.   Viajar apenas com uma mochila nas costas; OK
25.   Fazer um cruzeiro; Desisti...nada que me tire de terra firme
26.   Aprender algo totalmente novo;OK
27.   Tomar um porre com amigos;OK
28.   Viver um amor reciproco e avassalador; O avassalador já veio..vidinha por favor, mande o recíproco
29.   Comemorar o dia do meu aniversário;OK
30.   Dar uma mega festa de aniversário para filhota; Segundo ela ja dei...mas ela nao sabe o que significa mega pra mim...rs
31.   Morar num país de cultura oriental; 
32.   Me dar um presente caríssimo;OK
33.    Dormir em rede numa casa construída sobre árvore; Quem vê pensa que tenho coragem
34.   Pedir conselho a uma criança, e segui-lo OK
35.   Dar um presente a um desconhecido; OK
36.   Consultar uma cartomante;OK
37.   Conhecer um culto de candomblé;
38.   Receber uma carta psicografada de minha mãe e meus filhos; Será que aguento?
39.    Manter a serenidade diante de uma perda radical por saber que amanhã será outro dia OK
40.   Faturar 1 milhão com o fruto do meu trabalho;
41.   Fazer alguém genuinamente feliz OK
42.   Ser genuinamente feliz OK
43.   Assistir os cientistas encontrarem cura definitiva para todo e qq tipo de câncer;
44.   Jogar futebol sete dias da semana depois do expediente; ufa..quase, faltaram 3 dias
45.   Andar de balão; desisti...sou muito bunda mole para isso
46.   Saltar de para quedas; desisti tb
47.   Memorizar um poema;ok
48.   Casar numa fazenda;
49.   Jogar num cassino;nem sei pq escrevi esse
50.   Morrer feliz...tenho certeza que assim será.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O constante aprendizado de mãe de anjo

E por mais que se siga uma religião que te explica e te ensina a enxergar a morte com os olhos do entendimento e não com a imaturidade da dor, existem momentos em que paramos e rebobinamos a fita e tentamos lembrar de algum detalhe que justifique termos que assistir a um filho, no meu caso a dois filhos, desencarnarem tão cedo.
A sensação de ilusão, como se a gestação fosse a vida me iludindo a respeito de algo que eu viveria, e que no momento onde deveria ocorrer o ápice da alegria pela realização daquele momento, acontece exatamente o inverso.
São 42 semanas de espera e planejamento, expectativas, e a sensação de frustração é imensa.
|E de quem é a culpa? Pensamento imediato, encontrar um responsável.
Mas há culpado?
Hoje com clareza de pensamento e leveza de coração, entendo que não tem houve culpa e tão pouco culpado, o que houve foi apenas a conclusão de um ciclo de vida de duas almas que estavam já no final de seus aprendizados.
Porque o desencarne nada mais é que a colação de grau nossa diante da vida, é quando as lições e missões que aqui viemos cumprir já foram concluídas, e somo chamados a um outro plano para iniciarmos as lições que temos que cumprir lá.
E assim o tempo foi passando, e a compreensão a respeito da morte de meus filhos foi se solidificando, e o pesar deu lugar para um entendimento da importância que foi ser o abrigo deles por 42 semanas.
Meu coração de mãe lembrará sempre das duas pessoinhas que me tornaram mãe, ora com sorriso no rosto pelo breve tempo que vivemos juntos, e ora com dor no coração por não ter tido mais tempo  para vivermos o imenso amor que tinha para oferecer, mas sou grata a Deus que foi moldando meu coração e me fazendo entender que vindas e partidas são necessárias para que os ciclos se completem.
Aos meus filhos anjos, o meu amor e minhas orações sempre.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Feliz Aniversário...saudosa mamãe.

Bença, mãe.
Queria que sua presença pudesse durar além dos meus sonhos, além dos meus desejos.
Mais um ano se passou, e não foi fácil passar sem você, apesar de não ser mais uma menininha, te preciso, sinto sua falta, sinto falta dos conselhos, das conversas, das risadas.
Sei que as escolhas que fiz para a minha vida são bem diferentes das que você aprovaria, mas mãe, pela primeira vez me sinto livre, feliz, plena, e foi com você que eu aprendi a buscar a plenitude das coisas, só que a minha não estava na vida que você desenhou.
Queria que você estivesse aqui para me dizer algo, para me reprovar, para me respeitar, queria simplesmente que você estivesse aqui.
Passar pelo seu aniversário sem você aqui, passar pela vida sem você aqui está sendo difícil demais.
Feliz aniversário minha fada, minha amiga, minha alma amiga.
Te amo hoje e para sempre

sábado, 5 de dezembro de 2015

"E quem irá dizer que não existe razão nas coisas feitas pelo coração?"

Vivo em busca do necessário equilíbrio entre razão e emoção. Não endurecer demais diante dos perrengues e frustrações, e não amolecer demais diante das situações que exijam equilíbrio e pulso forte.
Já recomecei do zero toda a minha vida algumas vezes, e hoje tenho a sensação de que me tornei mais resistente e mais terna, mas quando o assunto é o amor, vida sentimental, já tive que reiniciar algumas vezes, mas a cada experiência mal sucedida, fui me tornando mais insensível, prática, dura.
E estava sendo assim, pessoas passando pela minha vida sem que eu me apegasse a elas, vivia as experiências, mas não as absorvia, isso até você chegar.
Você não fez nada de diferente, não cantou Djavan, não declamou Camões, nem se quer se insinuou, você só foi você mesma, e foi  o suficiente para quebrar todo o equilíbrio alcançado entre razão e emoção.
Você não precisou de palavras bonitas, apenas de palavras, você não precisou de música, bastou o som da sua voz. e quando fui me dar conta, a terra firma já estava longe, e eu em alto mar, num barquinho frágil e sem remo, sem ter como voltar.
Quando nossas conversar mudaram de nível, eu já em silêncio buscava uma forma de não me perder de amores por você, mas deixa eu te contar, não encontrei, era tarde demais.
Eu não fazia idéia que uma palavra podia ter o toque muito  mais intenso do que o toque das mãos, que o som de uma voz, podia ocupar mais espaço e ser mais presença do que o estar ao lado fisicamente, eu não fazia idéia que a essas alturas da vida, meu coração bateria como o de uma adolescente a encontrar o seu primeiro amor.
Meu coração se apaixonou por você e nem se quer pediu a minha, ou a sua permissão, idiota, fez tudo da forma correta para receber um não. Mas ainda assim eu me perguntava, quem se importa se ela não corresponder, o importante é sentir. MENTIRA. Eu me importo, tenho me importado e tem doido, mas já não sei como voltar atrás.
Sua proposta é tentadora, mas é tão cheia de riscos, e riscos que só eu corro, que o conflito entre razão e emoção se ampliaram, porque a razão diz, foge, e o coração, o coração já é seu, nele já é você quem manda, e eu se quer sei dizer como começou, porque começou, mas sei que não quero que termine.
Queria que a razão imperasse, mas ela se aquieta diante do coração.
E eu que já havia me acostumado a fazer as pessoas passarem desapercebidas na minha vida, a não ame apegar, a ser tachada de fria e insensível, estou sentindo, sentindo paixão de uma forma que não deveria, desejo de uma forma que não poderia, e medo de uma forma que eu pensei que jamais sentiria.
E quem se importa?
Desta vez eu me importo, porque cada vez que eu penso a respeito, só consigo pensar no quanto é para valer, no quanto ilumina meu dia o seu bom dia, no quanto preenche minhas tardes as suas mensagens, no quanto eterniza minhas noites as nossas conversas.
Não adiantou eu me blindar!

sábado, 21 de novembro de 2015

Quando o amor bate no endereço errado

E eu que pensava não acreditar mais no amor, me vejo mergulhada nele, inundada dele, completamente vulnerável a ele.
Mas as vezes, o amor chega e bate no endereço errado, e é quando ele passa de um sentimento bom a um sentimento que faz sofrer.
Nem sempre as pessoas estão na mesma vibe, dispostas as mesmas aventuras e aos mesmos sonhos, e é neste meio turbulento, que o amor, sentimento nobre  e único, faz sofrer, angustia e desespera.
Aprendi a amar, mas não sei sofrer por amor, se não me faz rir, me afasto, se não me dá prazer, excluo, se não me corresponde...saio de cena, até curar o que ficou aberto.
E assim a vida vai seguindo, novos amores surgindo, feridas se abrindo e se curando, e o livro da vida vai se enchendo de novas páginas.
Mas nada pode ser mais importante que ser capaz de sentir  amor, mesmo quando ele bate no endereço errado.

domingo, 25 de outubro de 2015

Há quem nos tire, e Há quem nos devolva

Nos últimos tempos tenho conhecido um número considerável de pessoas, e isso só se fez possível quando eu resolvi me desfazer das amarras e pré- conceitos que trazia comigo.
E nessa mudança, conheci pessoas que não valeram a pena, mas também descobri pequenos gênios escondidos sob codinomes em grupos de watsaaps da vida.
E das tantas pessoas que agora fazem parte de uma maneira ou de outra do meu cotidiano, descobri uma pequena que escreve gigantemente, que tem uma alma extraordinária, e tem deixado isso claro através de seus textos. Ela escreve como se transpassasse sua alma para o papel, e não somente a sua, é como se ela compreendesse o que acontece com as almas viajantes por ai.

Li um texto dela, gostei, li outro, gostei, e quando percebi, estava ali, mergulhada nas palavras soltas no Blog Desapego, que é de propriedade da Ana Brito, que conheci através do primeiro e único grupo que me interessei em fazer parte no wats.

Para que vocês entendam melhor o que falo, segue link e o texto dela que gostei muito:

http://desapego29.webnode.com/news/amadurecer/


Amadurecer


Decepções, conquistas, vitórias, choros ... decepções. É incrível como o ser humano tem a tendência de buscar de todas as maneiras sofrer. Poderia dizer: “em especial as mulheres” mas não. Seria hipocrisia falar isso porque todo mundo se apaixona, todo mundo sente ou deveria sentir. O problema é que as mulheres demonstram mais esse sofrimento, colocam ele para fora explicitamente. Enquanto os homens por uma questão social, histórica e machista ou simplesmente por vergonha se retraem mais, fingem ser os “durões” da situação. 
Ele não era o cara com quem eu pudesse pensar em algo para o futuro. Ele não me via como alguém com quem ele pudesse ter um relacionamento. E mesmo assim eu me envolvi, não vou dizer que foi de uma maneira pura e romântica, nem eu queria sentir algo. No início admito que minha única pretensão era, simplesmente passar um tempo com alguém que eu me sentisse bem estando ao lado, seria uma troca boa, várias afinidades ... por que não? A última coisa que eu queria era me envolver ou nutrir um sentimento amoroso por alguém, eu estava querendo só curtir, como a gente não manda no coração, e mesmo se mandar ele não obedece. Sem perceber fui me apegando, começando a sentir a falta, começando a desejar estar ao lado dele. Comecei a pensar nele vez ou outra, e depois o dia todo.
 Me dei conta que não importava o que eu estivesse fazendo ele estava lá, perdido em meio a bagunça dos meus pensamentos, de um jeito ou de outro ele estava lá. Uma dor começava a me consumir, eu não sabia o que era, na realidade eu até sabia. Mas eu me recusava, rejeitava de todas as formas eu sabia o que começava a sentir. Eu me recusava a sentir afinal eu sabia o quanto doía e o quanto ainda podia doer. Foi uma guerra sem fim, uma guerra contra mim. Continuei me encontrando com ele, eu não queria sentir mas continuava alimentando aquilo, aquele sentimento. E a cada beijo, a cada toque, a cada suspiro dele ao meu ouvido esse sentimento aumentava, eu não aguentava mais negar.
Fui derrotada, assumi para mim, foi duro. Depois de um tempo ele foi parando de manter contato comigo, eu não entendi, dias, semanas. Mas ele voltava e falava comigo, não como antes, já não tínhamos tanto assunto. Sempre foi ele que me procurou e eu fui cedendo, dando corda. E é essa corda que me sufoca agora, fico pensando que ele não quer mais nada comigo, isso me dói, será que ele não sentiu nada por mim além de atração? Será que depois de tantas vezes juntos, ele não conseguiu sentir nada, nenhum sentimento que não fosse ligado ao sexo? Não consigo saber o que ele sente, tenho medo de falar com ele e dizer o que eu sinto, tenho medo de parecer uma criança boba que se apaixona por um cara fácil demais. Tenho medo de parecer uma idiota. 
 Tudo que eu mais queria era poder contar para ele, derramar essa agonia e me despir da máscara que coloco, toda vez que o vejo, para esconder os meus sentimentos. Não, não estou apaixonada. Estou apenas sentindo algo por alguém com quem eu vivi uma história, um lance e nada mais, porém foi uma história. Não deveria mas eu sinto e não posso evitar sentir. E como a pessoa pode ser tão fria ao ponto de dormir com alguém, conversar quase todo dia, brincar e não sentir algo? Pode ser coisa boba, quase nada, mas a pessoa sente. Eu pensava nele muito, me pergunto se ele também pensava em mim. Era e é simplesmente isso que eu gostaria de saber mas não sei se vou, não sei se terei coragem de falar ou se isso faz alguma diferença. Me sinto confusa porque eu não sei o que ele pensa, se pensa ou se já nem lembra mais. Imagino que ele não queira mais continuar com o tal do nosso lance, acho que perdi.
 Me pergunto como podemos perder algo que nunca foi nosso? Não se perde mas se sente a dor da perda, a gente sente mesmo sem ter motivo concreto. Porquê tudo tem que ser assim, com rótulos, com definições e toda aquela velha hipocrisia pré-estabelecida? Eu gostaria de ser uma pessoa mais fria, infelizmente não sou. Meus valores humanos vêm em primeiro lugar. Eu gostaria, eu gostaria, eu gostaria de tanta coisa ... eu gostaria de estar com ele, poxa, mas não posso, tantas coisas me impedem, principalmente uma: ele. Com o tempo, eu acredito que esse sentimento vai se desfazer ou adormecer dentro de mim. 
Estou tentando seguir em frente sem pensar nele, mas mesmo sem querer eu penso. E aos poucos vou me dando conta de que, algumas coisas são boas para levarmos como lição de vida, coisas para não repetirmos. Aos poucos, estou percebendo que estou saindo dessa melhor do que entrei. Menos magoada e mais forte. É tudo uma questão de tempo e paciência, acredito que isso é o que significa aquela palavra lá: "amadurecer", só não imaginava que doesse tanto. Mas talvez, essa dor me ajude a nunca mais depositar expectativas em coisas que não dependem só de mim. Talvez isso seja crescer, e crescer parecia ser mais legal na teoria.

Suportando as tempestades

Certa vez, alguém que me ama muito e a quem eu amo também, me disse a seguinte frase: se queres alcançar o arco iris minha menina, terás que usar todas as suas forças para suportar as tempestades.
E a minha tempestade responde pelo nome de adenocarcinoma de colon, nome que nem se quer fiz questão de decorar no inicio,como se bloquear as informações fosse me curar mais rápido, ou fazer com que eu me sentisse melhor.
A cada novo estágio algo muda, principalmente dentro de mim, e me faz desejar cada vez mais ver o arco iris no final da tempestade.
Tenho conseguido que a doença não interfira tanto no trabalho, e nada no que diz respeito aos amigos e família, até porque, esta é uma causa que resolvi movida pelas minhas convicções a abraçar sozinha.
Alguns dias os sintomas são suaves, e consigo que ninguém perceba cansaço ou dor em mim, outros isso é quase impossível. Vim de uns dias super bem, esse final de semana as coisas já não saíram como eu esperava, então tratei de ficar mais em casa, e pouco com as pessoas.
Na próxima semana tenho o retorno com o onco e com a equipe multidisciplinar, isso não inclui a psicologa, a quem recorri pouquíssimas vezes.
Esta semana também será a primeira vez que não levarei os resultados dos exames lacradinhos para o médico, já consigo entender o que aparece ali, e foi bom eu ter aberto, estou indo para os médicos esta semana muito confiante, tudo por conta de alguns números, que na primeira vez era 12 cm, alguns meses depois era 8 cm, depois com 3 cm e desta vez, dois anos depois, vou com um resultado limpo,
Para um paciente com câncer, não brilhar tanto na ressonância magnética é um troféu.
De fato está a primeira vitória palpável que tenho, é a primeira certeza depois de tanto tempo de dúvidas.
Sim, o meu arco íris já se faz visível, e muito da luta só aconteceu por insistência permanente de alguns amigos que abraçaram esta causa comigo.
É tão bom ir dormir sem medo de não de acordar, é tão bom falar com um amigo sem medo que aquela vez seja de fato a última.
Demorei a entender e a enxergar que suportar as tempestades é trabalhoso, algumas vezes doloroso, mas que vale gigantemente a pena.
Aos que estão sempre comigo, néh não D. Ana Maria e seu José Augusto, o meu muito obrigado, e mesmo assim agradecer é pouco por cada segundo da vida de vocês que doaram para os meus  problemas.
Infinitamente, obrigada por ter me dado o arco íris.

sábado, 10 de maio de 2014

Para a mãe que tive, para a mãe que sou, para as mães que aqui estiveram, e para as mães que ainda virão...feliz dia das mães

Quando eu era um cisco de gente, e ainda não sabia que era filha adotiva, achava que para ser mãe bastava ficar grávida e dar a luz, ai eu cresci e as coisas mudaram um pouco de figura.
As vezes eu uso o termo mãe e alguém me pergunta, sua mãe de verdade ou sua mãe adotiva? Uma ressalva, eu tive apenas uma única e verdadeira mãe, pois como ela mesma costumava dizer, pode se nascer da barriga e carregar os laços de sangue, ou simplesmente nascer do coração e carregar apenas os laços do amor.
Pois bem, em uma conversa com minha mãe um dia, ela me contou a parte que cabia a mim saber sobre minha adoção, e eu perguntei a ela como ela conseguia amar alguém que não era parte dela, e foi na resposta dela que entendi pela primeira vez o que era necessário para se fazer uma mãe.
Neste dia, diante do meu questionamento ela me respondeu – como assim não é parte minha? tive que abrir meu coração para te fazer minha filha, perdi noites de sono ao lado de sua cabeceira enquanto você queimava de febre, chorei em todas as suas apresentações da escola, morri um pouco por dentro quando você adoeceu e achávamos que não teria volta, me orgulhei diante de seu primeiro diploma de formação na escola, depois me orgulhei quando você recebeu seu diploma de graduação, quase morri o dia em que você não dormiu em casa pela primeira vez, tenho um registro seu em meu nome como sua mãe, te amo e daria a minha vida pela sua felicidade, você ainda acha que você não é minha, que não nasceu de mim? Você nasceu do melhor lugar de mim, você nasceu do meu coração e da minha capacidade de amar.
Nem que eu viva mil anos eu vou esquecer o dia dessa conversa, e a paz que ela trouxe para o meu coração, a certeza que ela me deu para seguir feliz o meu caminho. Foi neste dia que eu entendi que para se fazer uma mãe era necessário amor, disposição para se doar em beneficio do outro, disposição para ter o coração batendo fora do peito.
Este ano será o nono ano que não terei minha mãe aqui para abraçar, para acarinhar, mas tenho ela em meus gestos, porque a mãe que sou, tem muito da mãe que tive.
Hoje, mulher, mãe, adulta, conheci outras mulheres que assim como minha mãe, merecem muito este título, mulheres que abandonam o seus anseios e desejos em detrimento da felicidade da família e dos filhos, mulheres que sofrem com os filhos adolescentes que saem para se divertir levando consigo o sossego do seu coração de mãe, mães que lutam pela vida do filho como quem defende a própria vida, e de fato defendem, mães que tiveram seu coração dilacerado a perder  o filho tão sonhado.
E pensando a respeito do que é preciso para se fazer uma mãe, chego a conclusão de que tenho que agradecer imensamente à minha mãe que não partiu sem me deixar como herança todos os instrumentos para que eu pudesse ser para a minha filha uma pequena porcentagem do que ela é para mim.
Tenho que agradecer  à minha mãe por mesmo depois de partir, ser presente em minha vida através das lembranças e da experiência de vida que ela me deixou.
Para as mães que aqui estão, para as mães que já partiram, deixo o meu Feliz dia das Mães.